Se perguntarmos quais são as facilidades que as redes sociais trouxeram em termos de networking, proximidade entre empresas e candidatos, possibilidade de interagir e ganhar visibilidade para ampliar as oportunidades de emprego, a lista será enorme. Mas pouca gente se preocupa com o uso das informações que estão ali, disponíveis para qualquer pessoa, inclusive os empregadores.

 

Mais do que procurar candidatos qualificados às oportunidades de carreira, as empresas estão se utilizando de ferramentas de análise web e mineração de dados para rastrear as atividades dos funcionários ou candidatos de modo a “prevenir” a contratação e manutenção de profissionais que estejam em desacordo com a cultura organizacional.

 

Apesar de ser uma atividade permitida, até certo ponto de vista, pode ser prejudicial para ambos lados. Veja os motivos:

 

De um lado, o usuário

Como usuários de redes sociais, costumamos desabafar as frustrações, comentar em posts de amigos e colegas de trabalho, publicar fotos em festas, passeios e viagens, etc. Mas pouco nos preocupamos com a privacidade destas informações.

 

Abertas para que qualquer pessoa possa ler, ver e até compartilhar, informações pessoais podem se tornar verdadeiras armas contra você. Um exemplo clássico e que aumenta a cada dia são as demissões por justa causa motivadas por comentários depreciativos de funcionários em relação às empresas nas quais trabalham.

 

Segundo o TRT 15, falar mal da empresa na internet é um ato lesivo à honra e boa fama contra o empregador, causando quebra da relação de confiança, o que justifica a demissão por justa causa. Até mesmo uma curtida em um comentário de um colega pode se tornar motivo para que a empresa dispense o profissional.

 

De outro lado, a empresa

As redes sociais estão se tornando ferramentas extremamente úteis de recrutamento e seleção. Além de buscar candidatos que correspondam às exigências da empresa, o setor de recursos humanos pode entrar em contato por meio destas plataformas e até realizar entrevistas via videoconferências.

 

Entretanto, essa facilidade tem duas faces: a disponibilidade de informações pessoais dos candidatos leva muitas empresas a fazerem uma verdadeira investigação sobre os hábitos e comportamentos das pessoas, utilizando até mesmo ferramentas de mineração de dados para descobrir o máximo de informações sobre estes profissionais.

 

Uma atividade que parece, num primeiro momento, uma prevenção para a empresa, pode se tornar também um crime: invasão de privacidade. Se as informações estão abertas e disponíveis, o candidato não pode reclamar de ter seus dados coletados na internet. Mas se os dados estão disponibilizados de forma privada, como em grupos fechados, que são bastante utilizados por profissionais, a empresa pode ser acionada judicialmente também.

 

Como equilibrar essa relação

O usuário que é consciente e faz bom uso das redes sociais utiliza de forma sistemática as configurações de privacidade de cada plataforma. No Facebook, por exemplo, é possível segmentar os contatos em grupos e compartilhar somente aquilo que é de interesse de cada grupo, preservando as demais informações. Da mesma forma, a empresa que conhece seus limites utiliza as redes sociais como um elemento a mais no processo de recrutamento e seleção, sem invadir o espaço particular de nenhum usuário.

 

O importante é que ambos entendam a gravidade da exposição em demasia nestas plataformas e saibam gerenciar as informações de modo correto, prezando pela ética. Assim como redes sociais não são o local adequado para lidar com as frustrações do trabalho, também não são instrumento de vigilância para que a empresa amplie seu poder de controle para além de suas paredes.

 

Tema polêmico, não é? E você, o que pensa a este respeito?